28 novembro, 2014

Um zumbi em minha escola.

Um zumbi em minha escola.



Era uma professora branquinha, de olhos azuis e cabelo louro, recém-formada, em seu primeiro emprego, se chamava Eunice, mas todos a conhecia Nice. Início do ano letivo, primeiro dia de aula. Nice toda empolgada chega a escola, que é bem antiga, para conhecer seu ambiente de trabalho, a Diretora a recebe com toda cortesia, conduzindo-a até a sala dos professores, apresenta-lhe para todos os professores e com um olhar frio e misterioso deseja-lhe boa sorte e pede para que Eunice não desista quando surgir o primeiro problema. Nice ao perceber a atitude da diretora sentiu um frio na espinha e ficou corada e perguntou aos colegas o por que daquela expressão preocupada demostrada pela diretora. De repente se levantou um professor barbudo e careca que estava sentado de costa para todos e que parecia ser o mais velho de todos os professore e falou: - Seja bem vinda a escola onde nem tudo que vemos é o que parece. E pegou uma pasta preta com um monte de papel amarelado, de tão antigo, e saiu pelos corredores arrastando os pés fazendo barulho com sua sandália de dedo de couro de bode. Nice, cada vez mais assustada, olhou para os demais professores e percebeu que todos a observava. No canto da sala, alguém sentado girando uma cadeira que rangia, o homem se levantou com passos curtos se aproximou e disse: - Não se preocupe com as palavras do Seu Josué, ele sempre faz isso com os novatos, mas tem razão quando fala que nem tudo é o que parece, pegou em sua mão, beijou-a e completou meu nome é Gustavo, se precisar de ajuda me procura e a gente conversa, virou as costas e saiu. Naquele momento, Nice já não sabia por que suas pernas tremiam se pela reforço que o professor fez das palavras do Seu Josué ou pelo encantamento que sentiu pelo belo e misterioso sorriso do professor Gustavo. De repente, o sino toca, hora de conhecer sua primeira turma, era o primeiro ano do ensino médio. Nice era professora de biologia. Ao chegar na sala de aula, encontra todos os alunos sentados e um silêncio total. A professora começa se apresentando, fala que é seu primeiro trabalho, quando escuta alguém cochichando – Ela é tão fraca, será que vai aguentar? Mas, Nice continua dizendo que espera contribuir para a formação de todos os alunos e do que eles precisassem poderia procura-la. A aula começa, Nice explica sobre a formação do planeta e fala sobre a panspermia. Quando de repente alguém que usa um boné preto, com um símbolo estranho, que está de cabeça baixa, levanta o braço e aos poucos levanta a cabeça e pergunta: - Fessora, tú falou sobre muitas coisas que não me interessa, quero saber e se tú acha que zumbi existe? A professora observou que os olhos do aluno estava vermelho, mas não comentou nada, apenas respondeu à pergunta do aluno dizendo que os zumbis fazem parte da história, mas que a pessoa mais indicada para responder seu questionamento, seria o professor de história. Nice acrescentou dizendo: - Eu não acredito em zumbis. E começou a fazer a chamada onde todos os 38 alunos estão presentes. Nice ficou em pé próximo a porta esperando que os alunos saíssem, quando ouviu alguém sussurrando ao pé do seu ouvido: - Nessa escola você vai mudar de opinião, pois aqui nada é o que parece. Nice ficou toda arrepiada e quando olhou para o lado, o aluno de boné preto ia passando, o aluno olhou por baixo da aba do boné, deu um sorriso irônico, baixou a cabeça e seguiu em frente. A professora novata, pegou seus livros, trancou a porta, guardou a chave e foi embora.
     No dia seguinte, a diretora chega na sala dos professores e diz: - Hoje está nublado e frio, o sol não apareceu, não desistam quando os problemas aparecerem. E se retirou da sala. Todos os professores estavam de cabeça baixa e até o professor Gustavo que no dia anterior apresentava um sorriso sedutor, demostrava em seu semblante uma ar de preocupação. Nice, ainda sem saber o que realmente acontecia naquela escola, pegou sua bolsa e seguiu para a sala de aula, foi quando percebeu que nos corredores alguns alunos estavam reunidos e cochichando sobre os últimos acontecimentos ocorridos naquela escola. A professora não entendia o que estava acontecendo, pediu que todos os alunos entrassem para a sala de aula e apesar de obedeceram eles estavam inquietos e a professora Nice, estava perdendo a paciência, só faltava 5 minutos para o término da aula e começou a fazer a chamada, neste momento Nice percebeu que o aluno de boné preto avia faltado. Ela perguntou aos alunos se alguém tinha alguma notícia sobre o seu colega e o silencio imperou na sala de aula, dava para ouvir a respiração dos alunos. O sinal tocou, todos saíram correndo, a professora pedia calma, mas, ninguém a escutava. Ela ficou decepcionada com o comportamento dos alunos. Foi pra casa triste e cabisbaixa. No outro dia, ao chegar na escola contava para os colegas sua decepção e todos olhavam para ela com olhos surpresos, pois ninguém conseguia compreender tamanha inocência. O professor Gustavo mais uma vez sorriu e Nice retribuiu o sorriso, ele passou a mão nos seus cabelos e falou: - Tão jovem, tão inexperiente e inocente, você vai precisar de ajuda. E saiu, mais uma vez deixando-a sem entender o que ele queria dizer.  Foi pra sala de aula e a primeira coisa que ela fez ao entrar na sala foi a frequência para ficar sabendo quem avia faltado naquele dia, mas todos se encontravam presente, inclusive o menino de boné preto, que permanecia de cabeça baixa. Ela direcionou o seu olhar e disse: - Garoto, levante a cabeça. O menino levantou a cabeça, os olhos estavam vermelhos feito brasas. Ela tomou um susto e sentiu seu intestino se revirando dentro da barriga, mesmo assim permaneceu firme e se atreveu a perguntar: - Qual é o seu nome? O jovem baixou a cabeça e falou baixo para não chamar a atenção dos colegas, que nesse momento já direcionavam seus olhares para ele, demostrando que havia alguma coisa de errado. - Meu nome é Zuki e colocou a aba do boné novamente cobrindo seu rosto. Todos olharam para Nice, ela faz mais uma pergunta: - Por que você não veio ontem? Todos olham novamente para Zuki. Ele permaneceu de cabeça baixa e em silêncio. Nice percebendo que Zuki não queria conversa resolveu continuar sua aula. Ao sair da sala de aula a professora pediu que todos saíssem devagar, quando Zuki passou, Nice sentiu um cheiro forte de enxofre e sentiu vontade de provocar. Ao chegar na sala dos professores comentou com os colegas o que aconteceu e naquele ambiente reinou o silêncio e ninguém se atreveu fazer qualquer pergunta. Assim, se passou um mês, os laços de amizade faram se formando e a professora novata foi conquistando a confiança de seus alunos e professor Gustavo aos poucos foi conquistando o coração da professorinha.
     Era sexta feira 13. Nice chega a escola e percebe que todos estão agitados, os alunos andam de um lado para o outro. A diretora e a professora tenta controlar os nervos dos alunos e fingem estarem calmos, mas é visível o receio de todos. A professora assustada se aproxima de um grupo de alunos e pergunta: - O que está acontecendo? Um dos alunos com os olhos esbugalhados responde com a voz ofegante e tremula: - Zuki está trancado com o professor Gustavo no banheiro. Já ouvimos gritos e pancadas mas ninguém consegue entrar lá. A professora ficou apavorada e sem saber o que fazer. Alguns alunos batiam na porta do banheiro e gritava: - Zuki! Zuki! Professor Gustavo! Professor Gustavo!!! E ninguém respondia. Os professores já tentavam entrar no banheiro pelo telhado, quando de repente todos escutam o rangido da porta abrindo e o silêncio impera, de lá saem Zuki e o professor com a roupa toda rasgada, um segurando o outro e o odor de enxofre exala toda a escola, todos olham para eles assustados e correm para ajuda-los. Zuki com seu boné preto intacto e professor Gustavo permanece com seu sorriso sedutor. Nice, pergunta: - O que aconteceu? Zuki finge que não ouviu e vai pra sala de aula como se nada tivesse acontecido. E Gustavo? Esse só rir. O dia passa e todos foram pra casa. No dia seguinte tudo está normal na escola, aparentemente nenhum problema. A noite o professor Gustavo liga para Nice e a convida para sair. Os dois foram a um restaurante, jantaram juntos, conversaram e ele foi deixa - lá em casa. Beijou seu rosto e foi embora. No dia seguinte, Nice e Gustavo se olham como se estivesse se vendo pela primeira vez, o sinal toca, se levantam e vão para sala de aula. Durante a aula Nice se aproxima de Zuki, faz uma brincadeira e ele dá um sorriso discreto e encabulado, a professora acredita já ter visto aquele sorriso, mas não lembra de onde. Quando a aula acaba a professora fica em pé na porta como faz todos os dias, Zuki se aproxima levanta a aba do boné, sorrir, baixa a cabeça e vai embora. A noite Nice sai com suas amigas e na rua encontra Gustavo e Zuki juntos, estranha a proximidade dos dois, diz um oi e vai embora sem entender a relação que une o aluno ao professor. Na escola ela descobre que são pai e filho e fica surpresa, pois o professor Gustavo nunca falou que tinha um filho.  Zuki diz a professora: - Afaste-se de meu pai e de mim, você não merece passar por algum que não vai lhe agradar. Nice responde: - Quem decide a minha vida sou eu, e não lhe devo satisfação. Vira as costa e vai embora. Nice e Gustavo combinam de se encontrar novamente, trocaram palavras doces e fizeram juras de amor. Se aproximava a formatura dos concludentes do terceiro ano, todos estavam felizes, alunos e professores brincavam, dançavam e cantavam enquanto ornamentavam o pátio da escola. E chegou a grande noite as meninas de vestido longo e os meninos de fraque prontos para comemorar as vitórias conquistadas ao longo dos anos. A festa começou todos se divertiam, muita música, comida e bebida. De repente a luzes se apagam e a noite se tornou sombria e escura, os convidados começaram sentir um aroma muito forte, a professora Nice percebeu que era o mesmo cheiro que já tinha sentido outras vezes e a partir daquele momento os segredos começaram a serem revelados. Da escada, descia alguém com a roupa toda rasgada, com passos tortos e desastrosos, grunhia como se pedisse socorro, com o corpo todo machucada e cheio de cortes, ele caminhava como se estivesse à procura de alguém, enquanto todos fugiam do monstro , Nice ficou paralisada, suas pernas não se moviam, seu rosto estava vermelho feito sangue, seu corpo todo tremia e de repente aquele monstro estava tocando em seu rosto como se reconhecesse, enquanto Nice sentia vontade de provocar, mas seu medo não permitia nenhuma reação. De repente, Zuki chegou correndo e Nice olhou com um olhar espantoso e ficou congelada só de imaginar o que estava acontecendo. Os dois pareciam estarem sofrendo com aquela situação. Gustavo por ser um zumbi e Zuki por ser filho de um zumbi e Nice entre os dois sem saber o que fazer e nesse momento passou a entender que nem tudo que vemos é o que realmente parece. E assim, a jovem professora e o sedutor professor zumbi, travaram uma luta para se manterem juntos, dando início a uma bela história de amor proibida, com o passar dos anos as transformações já não eram tão frequentes e o amor foi o segredo para salvar Gustavo de uma terrível maldição.

Autora: Noêmia Roberto

Publicado na 1ª Coletânea Estudantil de Contos e Poemas da EEEP Professor Gustavo Augusto Lima. 

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